toques sutis

De perto é melhor

Pesquisadores acreditam que toques sutis, como encostar a mão no ombro do interlocutor, aumentam o grau de confiança entre as pessoas e podem impulsionar a cooperação grupal

Independentemente da forma, seja um toque delicado de paquera ou um beliscão, o contato físico pode transmitir vários tipos de informação social.

Há mais de três décadas os psicólogos Christopher G. Wetzel, do Rhodes College, e April H. Crusco, então da Universidade do Mississippi, relataram que garçonetes que encostavam brevemente na mão ou no ombro dos clientes tinham chances de ganhar uma gorjeta maior do que se não fizessem esse gesto.

Estudos posteriores demonstraram ainda que o toque costuma favorecer a influência que exercemos sobre estranhos e ajudar vendedores a pressionar consumidores ou instituições de caridade na hora de procurar voluntários.

Esse tipo de contato talvez possa explicar por que alguns políticos costumam dar tapinhas nos ombros ou nas costas de seus eleitores sempre que possível.

Como o toque tem efeitos na intimidade de um casal

O efeito funciona também entre pessoas íntimas. Por exemplo, um estudo realizado por um grupo de psicólogos da Central de Serviços Psicológicos de Iowa e da Universidade do Estado de Iowa demonstrou que as mulheres costumam tocar o marido mais frequentemente quando discutem um tema que elas trouxeram do que nos momentos em que ele levanta uma questão – como se a pressão extra, física e simbólica, pudesse aumentar sua influência.

O estudo mostra, porém, que quando não há interesse de sedução, os homens tendem a manter menor contato físico durante um diálogo, independentemente da pessoa que iniciou a conversa.

Como as interações físicas podem ajudar

Os cientistas acreditam que toques sutis, que sinalizam cordialidade e confiança, podem impulsionar também a cooperação grupal. Psicólogos da Universidade da Califórnia em Berkeley descobriram que o tempo que os jogadores de basquete da NBA passavam tocando um no outro no início da temporada poderia ajudar a prever o desempenho meses mais tarde. Não importa se são leves pancadas comemorativas com os punhos, apertos de mãos, abraços.

A proximidade parece refletir o espírito de uma equipe unida e indicar a capacidade dos atletas de jogar bem como indivíduos e como time.


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