O preço da desconfiança

O preço da desconfiança

A maior parte da população mundial vive hoje em cidades. Isso significa, entre outras coisas, que menos gente conhece seus vizinhos. Em algum momento parece inevitável nos perguntarmos se devemos nos aproximar de outras pessoas ou levantar a guarda e nos fecharmos para fugir de eventuais perigos.

Alguns pesquisadores acreditam que a falta de confiança pode não apenas prejudicar o convívio social (e nos privar de benefícios que isso traz para a saúde mental), mas também custar dinheiro.

Um número cada vez maior de estudos revela um dado intrigante: pessoas que confiam pouco em seus colegas ganham menos em transações financeiras.

Num estudo realizado há uma década em laboratório, e várias vezes replicado, os voluntários que subestimaram o número de parceiros que dariam retorno a seu investimento, em um jogo que seguia princípios da economia, investiram menos e acabaram com receita menor do que poderiam ter conseguido.

Um novo artigo publicado

No Journal of Personality and Social Psychology estabelece algumas relações curiosas entre o mundo real do prejuízo financeiro e a descrença.

O cientista Daniel Ehlebracht, pesquisador da Universidade de Colônia, na Alemanha, constatou que as pessoas que reconheceram ter “visão cínica” da natureza humana tiveram renda menor (em milhares de dólares, após dois e nove anos), em comparação aos seus colegas mais otimistas.

Para obter dados mais confiáveis, os pesquisadores excluíram várias explicações sugeridas para a ligação entre desconfiança e renda, como traços de personalidade dos participantes, condições de saúde, educação, idade, gênero e situação profissional. Ehlebracht sugere que o cinismo aumenta o sentimento de suspeita, o que dificulta – e às vezes impede – a cooperação.

Se isso é verdade, essa característica não deve ser prejudicial em lugares em que um alto grau de suspeita é justificado. Examinando a situação em 41 países europeus, os pesquisadores constataram que em nações com os índices de criminalidade mais elevados e menos cooperação, o cinismo não se correlacionava com menor renda.

Então, conceder aos outros o benefício da dúvida pode não significar oferecer a possibilidade de ser enganado. Em vez disso, parece ser bastante compensador.


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