Presentes mais simples são os preferidos do cérebro

Estudos mostram que presentes com utilidade prática costumam ser mais apreciados do que itens caros e sofisticados

Da redação

Algumas pesquisas recentes sobre o ato de presentear podem ajudar quem está em busca de um mimo para agradar a pessoas queridas. Salvo exceções e casos específicos, optar por coisas simples e práticas parece ser mais interessante pelo menos do ponto de vista da ciência. Um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychologyindica que, embora tendamos a acreditar que presentes sofisticados (e caros) serão mais apreciados, quem recebe, em geral, fica mais feliz com coisas que possam ter uma função em sua vida. No experimento descrito no artigo, pares de amigos, todos estudantes universitários, trocaram canetas novas, algo valorizado entre os estudantes. Quem presenteava acreditava que o outro iria preferir aquelas do tipo pesada, extravagante, para ocasiões especiais. Na verdade, aqueles que receberam o mimo, se mostraram mais contentes com canetas mais leves, ainda que mais baratas. 

“Costumamos acreditar que o preço ou o esforço que dedicamos em um presente, por exemplo, é o que faz diferença, mas a pessoa que recebe não sabe desses detalhes, ela apenas vê o objeto e pensa de que maneira irá encaixá-lo em sua vida”, diz o doutor em comportamento e marketing Nathan Novemsky, professor da Universidade Yale, que também desenvolve pesquisas sobre o assunto. Em um de seus estudos recentes, os participantes preencheram um questionário enquanto imaginavam dar ou ganhar um cartão de presente de um restaurante. Aqueles que ofertavam acreditavam que as pessoas presenteadas iriam gostar mais de um voucher de um estabelecimento de cinco estrelas em alguma cidade ao redor; mas, na verdade, eles preferiam um restaurante na estrada, virando a esquina. Tanto os homens como as mulheres tendem a valorizar a opção prática. 

Outra coisa: cuidado com papéis de embrulho exagerados. Segundo Novemsky, um estudo em andamento sugere que fazer embrulhos com um saco de papel marrom e liso – ou mesmo entregar sem embalar – pode ser mais apropriado do que aparecer com algo deslumbrante e cheio de fitas. Estranho? Em princípio sim, mas a explicação faz sentido: pacotes atraentes tendem a aumentar as expectativas em relação ao conteúdo e também o risco de que a pessoa fique decepcionada, caso não faça jus a embalagem. Então, a menos que tenha certeza de que o mimo seja requintado, como uma joia, é indicado considerar pacotes mais modestos. Mais uma sugestão: não se acanhe em perguntar o que a pessoa quer. Pesquisas feitas nas universidades Harvard e Stanford mostram que quem recebe um presente, em geral, fica mais satisfeito com o que solicitou do que com algo atencioso que não estava em sua lista.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de dezembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2guA4d3  

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