Monólogo traz protagonista em surto psicótico

Indicado ao Prêmio Shell de melhor ator, Pedro Vieira interpreta homem que discute violentamente com uma voz que apenas ele ouve

Da redação

Um homem sozinho em um espaço público, que parece uma estação de metrô, começa a responder agressivamente às imprecações de uma suposta pessoa que apenas ele parece ver e ouvir. A esse Outro, que o espectador não vê nem sabe quem é, ele afirma-se poderoso, justifica-se bem-sucedido na vida e, por fim, investe violentamente contra essa voz que parece ironizar o que ele pensa de si mesmo. Assim se desenvolve o monólogo Eu tenho tudo, aclamado texto do franco-argelino Thierry Illouz, interpretado por Pedro Vieira, indicado ao Prêmio Shell de melhor ator.

No cenário, além do ator, apenas um banco e dezenas de botões dourados que o protagonista afirma serem suas moedas. São, para ele, prova de algum status no mundo, a despeito da sua evidente solidão. A violência e a verborragia que transparecem no diálogo com o Outro lembram um surto psicótico – de fato, esse homem vivido por Vieira parece ter atravessado os limites da sanidade mental. O texto convida o espectador a refletir sobre questões trazidas por esse Outro, que desafiam não só a saúde psíquica do personagem, mas de todos nós, como as pressões sociais por sucesso e dinheiro e encaixe a padrões, além de vivências frequentes de hostilidade e intolerância. 

Eu tenho tudo. 
Viga Espaço Cênico. Rua Capote Valente, 1323, Sumaré (próximo ao metrô), São Paulo. 
Terça, às 21h. Informações: (11) 3801-1843. R$ 40. Até 29 de novembro.

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