Maconha: um pequeno guia

Maconha: um pequeno guia

Maconha – contra ou a favor? Para formar qualquer opinião, é fundamental compreender informações básicas. No Brasil, o uso é proibido tanto para uso recreativo quanto medicinal.

Fernanda Teixeira

Relatos de 2700 a.C. descrevem o cultivo e uso da Cannabis sativa, a maconha, como analgésico e ansiolítico na China. No final do século 19, cigarros da planta e extrato líquido eram vendidos em farmácia – indicados, por exemplo, para induzir ao sono e controlar a bronquite crônica. Depois de décadas de proibição da cannabis e seus derivados ao longo do século 20, estados americanos e alguns países começaram a liberar o uso médico da planta.

Nesses locais, a prescrição médica se baseia no equilíbrio das proporções de dois fitocanabinoides (os componentes que interagem com o sistema endocanabinoide do cérebro) principais: tetraidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD). Ou seja: variedades padronizadas da planta são receitadas de acordo com a maior ou menor porcentagem desses canabinoides.

O uso medicinal seguro de cannabis depende da produção controlada de variedades da planta com proporções padronizadas; a extração obedece a procedimentos específicos que, se desrespeitados, podem alterar as propriedades

Na Holanda, por exemplo, a variedade Bediol (6% de THC e 7,5% de CBD), produzida de forma padronizada e distribuída em farmácias pela companhia Bedrocan, é indicada para alívio da dor e combate a processos inflamatórios. Seu uso não causa as alterações mentais características da maconha recreativa porque a proporção mais alta de CBD (que tem propriedades antipsicóticas e ansiolíticas) ameniza a ação do THC, responsável pelos efeitos psicoativos – confusão mental, euforia, fluidez de pensamentos e outros que variam de uma pessoa para outra.

Assim, é possível se beneficiar das qualidades terapêuticas do CBD e do THC (componentes que têm efeitos comprovados no controle de dores) sem sofrer alterações psíquicas como efeito colateral. Nesse caso, a administração é feita por inalação, com o uso de um vaporizador, por exemplo. Como explica o neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é possível usar a maconha como fitoterápico desde que se tenha conhecimento da proporção de canabinoides.

“No caso da inalação com vaporizadores, é possível ter muito controle da dose. Os efeitos são imediatos e o médico pode administrar doses bem pequenas, medidas com precisão, até atingir o efeito desejado.”

Uso medicinal

Significa tanto o uso de medicamentos derivados de componentes da cannabis, sintetizados em laboratório, como de compostos feitos de extratos da planta. Ou mesmo o uso por inalação com intenção medicinal. As indicações são diversas e as proporções de canabinoides variam de acordo com o efeito desejado

Uso recreativo

Busca os efeitos psicoativos da planta, como fluidez de pensamento, relaxamento, euforia – sensações que variam de acordo com o indivíduo e a qualidade e quantidade consumida da droga.

Regulamentação

É o que vai determinar o controle da venda e acesso à substância. Interferência do Estado pode variar de acordo com cada país. Por exemplo: em alguns estados americanos, a maconha é vendida apenas para uso medicinal, em dispensários, com receita médica. Na Holanda, o uso recreativo é permitido em locais específicos, que vendem a droga com índices controlados de canabinoides, bem explícitos ao consumidor.

Legalização

É importante mudar leis de forma a permitir o cultivo próprio e produção de cannabis para comercialização. Pode
contemplar somente o uso medicinal ou também o recreativo, dependendo de cada país ou, no caso dos Estados
Unidos, estado. Nesse país, 23 estados e Washington permitem o uso medicinal – quatro deles permitem também o recreativo. Envolve muitas discussões, pois demanda regulamentação.

Política no Brasil

A cannabis é atualmente proibida no Brasil, seja para qualquer tipo de uso. Portar a droga é crime, independentemente da quantidade. Os critérios que definem traficante (revendedor) e usuário (consumidor) não são objetivos, dependem de quantidade e circunstâncias de apreensão. Mas as penalidades são mais brandas no segundo caso. A exceção vale unicamente para remédios com maior quantidade de CBD que de THC, obtidos por meio de importação.


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