enxaqueca

Enxaqueca é coisa séria!

Durante as crises de enxaqueca, cada batida do coração, que normalmente não seria sentida, dói como uma martelada; odores e imagens podem desencadear o problema.

 

Talvez seja o seu caso, e provavelmente é o de alguém que você conhece: 10% da população experimenta um tipo específico de dor de cabeça que deixa as outras no chinelo. É estupidamente forte (considerada bem pior do que as dores do parto por boa parte das mães acometidas, como eu), em geral de um lado só da cabeça, como se ela estivesse sendo martelada ritmicamente por dentro, acompanhada de enjôo e fotofobia, e realmente debilitante: nessas horas, o melhor lugar do mundo é um quarto escuro e silencioso. Para agravar a situação, os “enxaquecosos” ainda têm de lidar com a incompreensão dos donos de cérebros “normais”, que acham que dor de cabeça excruciante é frescura.

Existem remédios, mas uma grande ajuda vem de reconhecer os estímulos específicos que disparam as crises. Embora períodos de estresse intenso aumentem o risco, cada pessoa com tendência à enxaqueca tem seus próprios gatilhos: para alguns, são odores, como perfumes; para outras, certos alimentos, exercício físico intenso, ou alterações hormonais do ciclo menstrual; para várias, luzes fortes. No meu caso, monitores de computador ou televisão com o contraste elevado ou mesmo roupas escuras listradas de branco são tão perturbadores que me causam enjôo. Ler ao sol? Jamais. Tenho óculos escuros espalhados em casa, no trabalho e nos dois carros da família, para ter certeza de que sempre haverá um à mão.

Embora a enxaqueca seja resultado de um distúrbio no cérebro, provavelmente de fundo genético, a dor em si não vem do sistema cerebral, mas das meninges que o envolvem, em geral inflamadas durante a crise. Nessas horas, os neurônios que recebem sinais das meninges parecem ficar tão sensíveis que interpretam como dor até as pulsações normais das artérias do cérebro que encostam nelas. Resultado: cada batida do coração, que normalmente não seria sentida, dói como uma martelada. E mais: esses mesmos neurônios que captam os sinais das meninges também recebem informações dos olhos sobre a luz ambiente, vindas de células ganglionares da retina que são sensíveis não a estímulos visuais específicos, mas à intensidade da luminosidade difusa. Devido à convergência de sinais, quanto mais forte a luz, mais forte o cérebro interpreta ser a dor que vem das meninges – donde a fotofobia exacerbada durante a crise de enxaqueca, quando até a luz ambiente dói, fato quase incompreensível para quem não sofre esse tipo de desconforto.

Neurologistas e neurocientistas trabalham lado a lado para entender a fonte da dor, a predisposição às crises, a sensibilidade aos gatilhos. Já se sabe, por exemplo, que a aura que em alguns casos prenuncia a crise cerca de meia hora antes da dor se instalar, resulta de uma onda de atividade elétrica alterada que se espalha lentamente pelo córtex cerebral, fazendo com que pontos cintilantes tomem conta de parte do que se vê, mesmo de olhos fechados. A aura pode ser uma grande aliada, pois garante à pessoa tempo de tomar medicação que evite a dor. Por que a aura prenuncia a dor, contudo, ainda não se sabe. Outro mistério em aberto é – como alguns enxaquecosos descobrem por acaso durante suas crises de enjôo – vomitar pode dar alívio imediato. Se você sofre de enxaqueca, ou acha que esse é o seu caso, é fundamental recorrer a um neurologista para descobrir a melhor maneira de evitar mais crises.


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